Temporada
Publicado em Tarambote, 2016-2021.

Do tuberculoso, tem o nome e sobrenome. No baile, olhava a todo o tempo as mãos. Já era hora do vampiro cair. Ajoelhado e prostrado, lambeu da terra o sangue. Escuridão no transporte e era o último. Como a criança que crê que o pai o protege do bandido da alvorada, se agarra ao amigo e era o último. O mocinho aventureiro ensaiava, trepidava e sentia as fisgadas. Com os anzóis nos pés tentando dormir, despertando no teatro com pés de pato. Talco e vinho, como um enfarte. Foste roxo e verde, naquela apresentação do fantasma, naquele vestibular do pintor. Parafusado em chave Philips a uma pressão sub-aquática profunda. Foste nas estribeiras, esquizofrênico, não como aquele dia à fábrica. Olhou as horas e os minutos, viu os sinais das corujas e o sentido dos nomes e deduziu bruxaria. Não como aquele dia à fábrica, catatônico ao sol do interior, das cidades que passaram ao largo, quando tomava as vilas para chegar ao trem final. E quando ao sol da uma abria as veias, afogado em litoral de paletó. E na casaca, a amiga veraneia, de florido, desenvolta, surgia trêmula no olho coberto em águas. Trajada em praia, trazia-lhe a pesca em coxas. Caído, lambeu da terra o sal.
Temporada faz parte do ciclo de poemas Secessão, incluído em Tarambote, conjunto de textos escritos entre 2016 e 2021. O livro Tarambote foi publicado de forma independente e está disponível para compra no site da Amazon.
Bagatelas, meu novo livro de poesias, acaba de ser lançado pela Editora Urutau. Nele, encontram-se poemas presentes nesta página, como Os Últimos a Ver Picassos, Os Trabalhos e os Dias, As Aldrabas, Samurais, Tunante, Não Toque na Prata e O Estreito do Leão. Para adquirir um exemplar, clique aqui.

