A Malva, o Anacolote
Exercício a partir de Leonã, o Mata-Cavalo, 2024-2025.

Em 2021, publiquei de forma independente o romance Leonã, o Mata-Cavalo, disponível para compra no site da Amazon. Posteriormente, a partir do mesmo material, selecionei trechos do livro e os reorganizei, compondo com eles o ciclo de poemas A Malva, o Anacolote (em um procedimento análogo ao de Alain Robbe-Grillet em L’Éden et après e N. a pris les dés…, quando reelaborou o mesmo material em uma nova estrutura narrativa). Estes textos nunca foram publicados anteriormente.
SELVAGEM
Que milagre tudo aquilo
por um castiçal aceso
ou pospasto que resistisse
não aceito um
fumo.
Da minha liturgia
seis mil camelos,
mil juntas de bois
e mais mil jumentas.
Esperamos por você
a tarde inteira.
CABO DE BAMBU
Caso eu esteja lento
o cabo de bambu,
por vezes na palha
heliponto.
Recolho camarões
mais altos
como esses em um
marmelo.
Daqui
são ainda quarenta
videiras e
um programa de rádio.
POR VIA TERRESTRE
Enquanto o amigo falava,
os figos em abrolhos
sem dúvida é culpa tua.
Rútilo e exército aclamavam
rampas de pedregulho
a apenas
trinta e quatro minutos.
Colher de barro manchada
a noz de areca
as hifas nos frades-de-sapo
na nossa sala de testemunhas.
Decerto
meu pai ganhara o mundo.
ALMOÇO DE GALA
O que me parece é que
uma verdadeira barreira
com sorte não estava
à procura do duque.
Foi um completo alvoroço
os mariscos no bazar,
os tiros de largada
confundiam-se.
O almoço é de gala.
TOUR DE FORCE
Todos correram ao vilarejo
que resta se não o
tour de force.
COMERCIANTE
Naquele dia os presságios
não eram bons para a corrida.
De todo modo
marchei para o
lugar determinado.
Espero que a entrega
lhe seja apropriada.
TELEFONIA
Não demorou muito
para aquecer a sopa,
curso da água toda vida.
Dispararei além dos pátios,
caso você não pare
em um ou dois locais.
Às fiações telefônicas,
ergue o rosto a nos procurar
Não seria esse o momento,
além do mais a prosa.
AVENIDA
Foi decidido que era
melhor mudar a rota,
pistas falsas e
desvios.
Você sabe como eu faço
para chegar a Candaar?
Não sei, respondeu,
eu lhe alcanço alguma hora.
CANTOCHÃO
É uma longa história,
que havia deixado o vale,
não se ferissem em qualquer curva
que todos reis.
Não vindo a flecha,
o que precisamos é
ele que retorna inteiro
De um modo estranho,
foram ligeiros.
REDENÇÃO
Só você o valor do taxímetro
os veículos tão logo
esse grifo em teu macacão,
o seu prestígio se mantivesse.
As minhas lembranças caso
pudesse ser mais uma armadilha
dois para um.
Você eu sei
que vai ser bom
pouco acima de seu joelho.
OS MAIORES QUILÔMETROS
Gergelim para a sobremesa
fui eu quem
cargas d’água restos
de hortaliças ao alvião
o carro em 180º quilômetros
dos maiores de sua geração.
Bagatelas, meu novo livro de poesias, acaba de ser lançado pela Editora Urutau. Nele, encontram-se poemas presentes nesta página, como Os Últimos a Ver Picassos, Os Trabalhos e os Dias, As Aldrabas, Samurais, Tunante, Não Toque na Prata e O Estreito do Leão. Para adquirir um exemplar, clique aqui.

